Peregrinação açoriana promovida pela Associação dos Amigos da Terra Santa e pelo Serviço Diocesano de Liturgia passa `Porta Santa´ em São Pedro

Três padres integram o grupo de peregrinos

A Associação Amigos da Terra Santa dos Açores, em colaboração com o Serviço Diocesano de Liturgia da Diocese de Angra, está em peregrinação a Itália e ontem os participantes viveram o “ponto mais alto” desta viagem com a passagem da Porta Santa em São Pedro, no Vaticano.

“A Porta Santa reveste-se de um significado teológico profundo: representa Cristo, a Porta da Salvação, o único caminho que nos conduz ao Pai. Ao atravessá-la, reafirmamos a nossa vocação à conversão, à purificação da fé e à entrega absoluta à misericórdia divina” escreve o Padre Marco Luciano Carvalho, diretor do Serviço Diocesano de Liturgia e um dos 30 peregrinos que integram esta peregrinação, numa mensagem partilhada com o Sítio Igreja Açores.

“Este ato não se esgota na sua dimensão simbólica; é, antes, uma interpelação radical à transformação interior, um chamamento à santidade e à esperança que sustenta e ilumina o caminho do crente” prossegue o sacerdote, que lamenta o facto de algumas dioceses não terem organizado uma peregrinação diocesana, o que em seu entender “enfraquece, de certa forma” o sentido que o papa Francisco quis dar a este Jubileu abrindo portas santas apenas em Roma.

O sacerdote lembra, de resto, a peregrinação que foi feita à Terra Santa em 2016, presidida pelo bispo de então.

“Hoje, voltamos a trilhar esse caminho, renovados por uma esperança viva, conscientes de que este jubileu nos desafia a sermos sinais visíveis do Evangelho num mundo que clama por autenticidade e verdade”, acrescenta ainda.

Tudo começou na Via della Conciliazione, onde começam todas as peregrinações até São Pedro, onde receberam uma cruz comemorativa do Ano Jubilar e organizaram a procissão rumo à Basílica de São Pedro.

“Não éramos apenas um grupo de turistas, mas um povo em marcha, conduzido pela luz da fé. Enquanto a cruz passava de mão em mão, sentíamos a ligação profunda que nos unia: irmãos e irmãs, desconhecidos e amigos, jovens e idosos, todos peregrinos do mesmo Deus” prossegue o relato do sacerdote.

“O momento mais comovente desta caminhada foi quando entoámos a Ladainha dos Santos. Nesse instante, uma onda de emoção percorreu cada um de nós. Não estávamos sós. Os santos e santas de Deus, aqueles que já trilharam este caminho antes de nós, intercediam por nós. Foi um hino de comunhão que atravessou o tempo e o espaço, ligando-nos a toda a Igreja peregrina e triunfante”, diz ainda.

“Olhávamo-nos nos olhos e percebíamos: ali, naquela procissão, éramos um só corpo, uma só Igreja, unidos na mesma esperança”, refere relatando um pouco o sentimento generalizado.

“Ao chegarmos à Porta Santa, o coração batia mais forte. O silêncio impôs-se. Cada passo dado era um ato de entrega, de compromisso e de renovação. Atrás de nós, ficavam as sombras do passado; à nossa frente, a luz da misericórdia divina. Ao atravessar aquele limiar sagrado, sentíamos que algo se transformava dentro de nós”, conclui o sacerdote referindo-se a algo “maior que um rito, mas um verdadeiro renascer”.

“Que esta peregrinação nos fortaleça na missão de construir um mundo mais fraterno, mais justo e impregnado da alegria do Evangelho. E que a Porta Santa que atravessamos nos transfigure, para que, ao regressarmos, sejamos, nós próprios, testemunhas vivas da esperança que não desilude”.

A peregrinação, que termina a 3 de março, já conduziu os 30 peregrinos diocesanos a Florença, Assis e à Basílica de Santa maria Maior. Passarão ainda pela  Arquibasílica de São João de Latrão, acompanhada da subida à Escada Santa, bem como à Basílicas Papal de São Paulo Fora de Muros.  Os peregrinos terão ainda a oportunidade de percorrer os magníficos Museus do Vaticano, culminando na visita à icónica Capela Sistina.

Os trinta fiéis, oriundos das ilhas de São Miguel, Terceira e Santa Maria, têm entre si três sacerdotes. Esta peregrinação, inserida no contexto do Jubileu da Esperança, alinha-se com o espírito da Bula de Proclamação do Jubileu Ordinário do Ano de 2025, promulgada pelo Papa Francisco a 9 de Maio de 2024. A peregrinação e a passagem pela Porta Santa constituem dois dos sinais mais eloquentes de qualquer Ano Jubilar.

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