Angra: Bispo pede uma Quaresma centrada na “oração” e na “conversão pessoal e relacional” que torne cada diocesano num “dador de esperança”

D. Armando Esteves Domingues alerta para os sinais de um mundo “dividido, radicalizado, cheio de discursos prepotentes e ameaçadores”. Renúncia Quaresmal repartida entre projeto diocesano e outro em Angola

Na Mensagem  para esta Quaresma-Páscoa o bispo de Angra apela de forma insistente à oração e à conversão “pessoal e relacional”, colocando-as no centro do itinerário proposto para este tempo da Igreja e do mundo, que se transformou num “lugar perigoso”, onde só um coração moldado à semelhança do de Jesus ,“pode ser um impulso novo, atento e sério” para devolver a esperança.

“Em pleno Jubileu da Esperança, os católicos são chamados a viver um tempo de penitência e de conversão, uma verdadeira peregrinação interior e exterior” começa por dizer o prelado na mensagem intitulada “Conduzidos pelo Espírito”, onde sublinha o valor e a força da oração, como uma “arma poderosa”, seja na luta contra os males que a história antecipa seja na luta contra a desesperança que atinge em especial, e de forma reiterada, grupos específicos.

“A oração de intercessão é sempre uma expressão de caridade, de amor mútuo” lembra D. Armando Esteves Domingues, ressalvando o seu valor na conversão pessoal e relacional, que é o sinal “da verdadeira esmola”.

“A verdadeira ´esmola/partilha´ de bens deve começar por uma conversão relacional” destaca convidando “todos os homens de boa vontade das comunidades, instituições, autarquias, serviços públicos, grupos caritativos, etc., a uma dimensão sinodal no agir, isto é, de uma prioridade relacional que ouça e envolva a todos”.

“Juntos, podemos fazer, no território que partilhamos – paróquia ou freguesia – uma leitura atenta e atualizada das pobrezas existentes para se equacionar em quê e quem pode socorrer e ser dador de esperança” diz D. Armando Esteves Domingues elencando as prioridades que serão sempre os “mais necessitados de esperança”, como são os “presos, os doentes, os migrantes, os exilados, os deslocados, os refugiados, os idosos e os pobres”, sem esquecer os jovens.

Acompanhando o espírito deste Jubileu, expresso na Bula Spes Non Confundit, através da qual o papa Francisco proclamou o Ano Santo da Esperança, o bispo de Angra insiste na necessidade de aproveitar esta Quaresma como o tempo favorável para que cada diocesano possa ser um verdadeiro “dador de esperança”.

“Se o primeiro cuidado – a atenção, o acolhimento e a proximidade – começar no coração de cada homem e mulher de boa vontade, se cada comunidade souber cuidar de todos seus pobres, então poderemos contribuir para bloquear o crescimento da pobreza a começar pelo compromisso a não deixar ninguém a viver sem esperança”, escreve na mensagem que alerta igualmente para os sinais do mundo.

“A Quaresma deste ano inicia com desafios tão grandes que colocam toda a Igreja de joelhos diante de Deus de quem espera o auxílio. Há um mundo em guerra ou a preparar-se para ela, alterações no quadro político e social global que lançam medo onde era preciso esperança. Muitos pobres e irmãos nossos correm o risco de perder apoios de projetos humanitários suportados por `países ricos´, adivinhando-se problemas acrescidos como o aumento da pobreza, das doenças, do isolamento, etc” afirma o prelado diocesano.

“Rezemos então pelas ameaças e tragédias deste nosso mundo dividido, radicalizado, cheio de discursos prepotentes e ameaçadores, próprios de quem quer `ser grande e poderoso´, pouco se importando com os passos trémulos do pequeno e frágil” diz o bispo, sublinhando o papel da oração no caminho da conversão pessoal, a partir do exemplo das tentações que Jesus teve de enfrentar, ainda que com sofrimento.

“É uma bela nota para a entrada no `deserto quaresmal´: durante a tempestade, não nos apoiemos apenas nas nossas próprias forças nem na própria leitura da realidade. É bom descentrarmo-nos através da escuta da Escritura, na qual recebemos o juízo de Deus sobre a realidade. Deus está presente na desordem, nas nossas contradições e pecados” escreve ainda o prelado diocesano.

O bispo de Angra propõe, ainda ,aos “sacerdotes da Diocese e às comunidades cristãs que, no primeiro domingo da Quaresma, celebrem e rezem de todas as formas pela saúde do Papa Francisco e suas intenções, pela paz e estabilização da confiança e da esperança entre pessoas e povos”.

Na mensagem da Quaresma-Páscoa, intitulada ‘Conduzidos pelo Espírito” o bispo de Angra informa que a diocese destina a renúncia quaresmal, que “não é uma campanha de recolha de fundos, nem uma esmola”, mas “o sacrifício das pessoas e também a alegria da partilha”, que é “fruto das renúncias que se vão fazendo, das poupanças numa alimentação mais pobre ou gastos supérfluos evitados, para partilhar, sempre em espírito de oração e de conversão”,  a dois projetos em partes iguais: o Projeto Melika e o Fundo de Emergência para Apoio aos Grupos Caritativos das Paróquias da Nossa Diocese.

O projeto Melika, promovido pelas irmãs Doroteias em Angola, já experimentado por alguns sacerdotes e leigos missionários da Diocese, visa a construção de quatro salas de aulas em Freixiel , cada uma com 35 alunos  e uma sala de informática. O valor total do projeto está orçado em 67 328,90 euros.

“Vamos ajudar!” exorta o prelado diocesano sugerindo que a sexta-feira, o dia que mais lembra a Paixão de Cristo, possa “ser o dia que a todos nos una nesta atual e necessária forma de penitência”.

A Quaresma é o tempo litúrgico de conversão, que a Igreja marca para nos preparar para a grande festa da Páscoa. Começa na Quarta-feira de cinzas e termina no Domingo de Ramos.

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