Terminou em Angra o 205 Cursilho de Mulheres dos Açores promovido pelo MCC, movimento “pioneiro na emancipação dos leigos”

O bispo de Angra agradeceu esta noite a todos os cursilhistas que ajudam a construir o reino de Deus na Diocese, na sessão de clausura do 205 Cursilho de Mulheres dos Açores, que se realizou no Seminário Episcopal de Angra de 27 a 30 de março.
“Obrigado a todos os que constroem como cursilhistas o reino de Deus na Diocese. Quando alguém consegue dizer que Deus é amor é porque fez experiência. Nós precisamos de nos sentir juntos, também em Igreja” disse D. Armando Esteves Domingues.
“Levai a alegria e o amor a todos os que encontrardes no caminho” exortou o bispo de Angra.
O prelado sublinhou que Deus “nos capacita com o seu amor” para caminharmos e para caminharmos juntos.
“Deus é amor porque nos ama, mas Deus também pede o nosso amor, em forma de compromisso”, recordou o prelado ao desejar “boa viagem” às 26 cursilhistas, que amanham regressam aos seus ambientes de trabalho, de família e de relacionamento social.
“Cristo conta contigo” frisou ainda o bispo de Angra.
O Diretor Espiritual deste Cursilho deixou um elogio ao Movimento dos Cursilhos de Cristandade (MCC) que tem sido pioneiro, na Igreja, “promovendo a emancipação dos leigos”, desde a sua fundação, anterior ao Concílio Vaticano II.
“Este primeiro anúncio chama os leigos a serem participantes na Igreja e, por isso, o Movimento dos Cursilhos de Cristandade têm sido uma semente de cristãos e de leigos na nossa diocese e é nestes encontros com Deus Amor que encontramos grande parte do nosso laicado”, afirmou o padre José Júlio Rocha.
“Estes encontros, estes retiros são verdadeiras estruturas de conversão”, sublinhou ainda o sacerdote, que já foi o assistente Diocesano deste movimento, durante mais de uma década.
Por outro lado, elogiou o secretariado diocesano por ter permitido que os Cursilhos se “abram a todos, todos, todos”, pois a descoberta deste Deus Amor “não pode ser negada a ninguém”, referiu ainda.
A clausura de um Cursilho é um momento muito importante mas é preciso não perder de vista que este momento “jubiloso”, que termina num encontro pessoal com Cristo, deve prosseguir no “quarto” dia do Cursilho, quando se verificar o regresso aos lugares deixados para trás no dia em que se entra no retiro.
“Neste momento, mais perto de voltarmos aos lugares de onde saímos na quinta-feira vivemos uma oportunidade única de graça, de aprendizagem, de partilha e de transformação pessoal “ afirmou Maria José Dâmaso, reitora deste 205 Cursilho de Mulheres dos Açores.
“Não foi apenas um retiro mas foi um tempo abençoado. Foi uma viagem ao nosso interior. Fortalecidas e capacitadas para a nossa caminhada, sentimo-nos filhas muito amadas de Deus” testemunhou ainda a Reitora.
“Este amor de Deus não é para ser guardado no coração mas para com ele sermos luz para o mundo: mais humanas, mais atentas e mais solidárias” disse, ainda, lembrando que a amizade é, porventura, o maior fruto dos cursilhos.
Durante a sessão de clausura todas as cursilhistas testemunharam a sua experiência bem como outros cursilhistas que já fizeram o seu Cursilho há mais tempo, incluindo sacerdotes.
Em declarações ao Sítio Igreja Açores, Isabel Neves faz um balanço muito positivo da atividade deste ano.
“Os cursilhos têm corrido muito bem. Em boa hora adiamos os dois cursilhos da ilha Terceira, que estiveram agendados para outubro porque ganhámos com isso. Entre os dois cursilhos do Pico, de São Miguel e agora aqui os dois da Terceira, estamos a falar de cerca de 90 pessoas envolvidas o que é muito positivo” refere a responsável pelo Secretariado Diocesano do MCC.
“É uma esperança para que o movimento se reerga. As escolas estão a funcionar em pleno e vamos continuar” refere ainda.
“Ainda teremos de ver se em São Jorge se consegue promover um Cursilho e na Terceira é possível que ainda aconteça outro Cursilho em outubro. Vamos ver”, disse ainda confessando a “sua esperança nos mais novos que agora terminam o Cursilho”.
“Temos esperança que estes mais novos venham viver a escola, a ultreia e possam formar os seus grupos”, disse ainda.
O MCC está a celebrar 62 anos do primeiro Cursilho de Cristandade nos Açores, que foi de homens, com 37 assistentes, realizado de 11 a 14 de setembro de 1963, em Angra do Heroísmo; o primeiro Cursilho de Senhoras realizou-se de 5 a 8 de setembro de 1964, com 47 cursilhistas, em Ponta Delgada.
O MCC nasceu na ilha de Maiorca, em Espanha, na década de 40, “pela mão” de Eduardo Bonnín Aguiló que, com a inspiração divina do Espírito Santo, “se deixou pensar por Deus”.
O primeiro Cursilho da história celebrou-se em Cala Figuera de Santanyí, em Maiorca, de 19 a 22 de agosto de 1944, tendo como base o “Estudo do Ambiente” de Eduardo Bonnín que atuou com reitor desse Cursilho (entre tantos outros que se seguiram) levando consigo como dirigentes, José Ferragut e Jaime Riutort. Foi Diretor Espiritual desse primeiro Cursilho D. Juan Juliá. Assistiram ao primeiro Cursilho da história 14 jovens.
O MCC contou nos seus inícios, de entre outros sacerdotes, com o entusiasmo de D. Sebastián Gaya (autor da “Hora Apostólica e do “Guia do Peregrino) e com a aprovação eclesial de D. Juan Hervás, que a 1 de março de 1947 chega a Maiorca como Bispo Diocesano, batizando estes “encontros” em 1953 como Cursilhos de Cristandade.